Jair
e Jean.
Direita
e Esquerda.
Heterossexual
e Homossexual.
Extremos,
Identidades, Diferenças.
A comparação entre os deputados Jean Wyllys e Jair
Bolsonaro tem ocorrido constantemente, como se representassem lados opostos de
uma mesma moeda. Mas, será mesmo?
Jean Wyllys, pode ter sua ideologia e ser um político
exaltado em determinados momentos, mas seu trabalho procura olhar para certos
tipos de pessoas e grupos sociais do Brasil e buscar que essas pessoas tenham
acesso ao mínimo dos seus direitos. O mínimo de seus direitos e não
privilégios.
Bolsonaro é a caricatura de um
deputado nostálgico de tempos sombrios de ditadura e repressão às liberdades. Ele
faz uso da ignorância popular e dos preconceitos que são reproduzidos.
Segundo ele, “o Brasil está piorando desde o fim do regime militar”. O
deputado
trabalha abertamente e declaradamente para manter os direitos de certos tipos
de cidadãos restritos, reduzidos. Na concepção de Bolsonaro, existem grupos
sociais que merecem um tipo de tratamento, mais aberto, com mais direitos, com
mais liberdades, e existem outros grupos que precisam ser controlados,
abafados, cercados, cerceados, inclusive com recursos violentos - como a
tortura, que ele não cansa de celebrar como um método válido.
O trabalho de Jean personifica aspectos fundamentais da
democracia e do humanismo. O trabalho de Bolsonaro, ele nunca esconde, ataca os
pilares da democracia. São opostos em princípio e não em polaridade.
O que queremos dizer é que Bolsonaro
é de posições radicais, de extrema-direita, muitas vezes beirando a
perversidade, com justificativas baseadas em discursos como “Moral, família e
bons costumes”, mas, para quem? Que família é essa? Somente esses costumes são
aceitáveis?
Jean Wyllys, não é santo e muito menos perfeito,
mas é bem mais moderado e ponderado. Infelizmente, criou-se o mito de que
ambos estariam no mesmo patamar de radicalidade, cada um de um lado oposto, e
ambos igualmente condenáveis em suas atitudes. Apoiar as minorias e os Direitos
Humanos, como faz Jean Wyllys, só poderia ser considerado radical se a defesa
desses valores ocorresse de maneira incondicional para
a maioria dos cidadãos brasileiros. Isso acontece? Por que há uma reação
raivosa do outro lado?
Que Jean deu uma cuspida
em Bolsonaro todos sabemos. É claro que não foi uma atitude vista como correta
ou aceitável, mas o que ela representa? Bolsonaro é preconceituoso. Suas
declarações não causariam espanto na Itália de Mussolini ou na Alemanha de
Hitler. Ele
defende que apoiadores da esquerda sejam mortos.
Que filhos bem educados não se tornam gays ou se casam com negras. Que o melhor
do Maranhão é o presídio de Pedrinhas. Disse que não estupraria a
petista Maria do Rosário porque ela não merecia. E
essa loucura e discurso raivoso tem encontrado terreno e identidade no Brasil. Opinião
ou discurso de ódio? “Bolsomito 2018”. Sério? Isso é grave.
E você? O que acha
disso tudo? Por que no nosso país as “minorias”, que muitas vezes são maioria
em quantidade, mas minoria em representatividade, ainda precisam lutar tanto
por seus direitos e visibilidade? E como fica a diversidade num
país tão plural como o Brasil? Por que há pessoas como Bolsonaro
que lutam contra isso?
POR QUÊ?
Muito bom o texto! Acredito que isso aconteça pq as classes que dominam o país (politicamente, economicamente e culturalmente) são as mesmas desde sempre e produzem um discurso que torna direitos em privilégios. Devido a esse domínio, o Brasil é um país extremamente moralista, que apesar da diversidade de pessoas, não aceita a diversidade de opiniões. É incrível que considerem que direitos humanos so sirvam para humanos direitos, quando servem exatamente para que seja mantida a dignidade mínima de um ser humano. Por isso Bolsonaro tem tanta visibilidade. Ele reflete a face reacionária da sociedade dominante brasileira.
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