segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Lados de uma mesma moeda?



Jair e Jean.

Direita e Esquerda.

Heterossexual e Homossexual.

Extremos, Identidades, Diferenças.



A comparação entre os deputados Jean Wyllys e Jair Bolsonaro tem ocorrido constantemente, como se representassem lados opostos de uma mesma moeda. Mas, será mesmo?

Jean Wyllys, pode ter sua ideologia e ser um político exaltado em determinados momentos, mas seu trabalho procura olhar para certos tipos de pessoas e grupos sociais do Brasil e buscar que essas pessoas tenham acesso ao mínimo dos seus direitos. O mínimo de seus direitos e não privilégios.

Bolsonaro é a caricatura de um deputado nostálgico de tempos sombrios de ditadura e repressão às liberdades. Ele faz uso da ignorância popular e dos preconceitos que são reproduzidos. Segundo ele, “o Brasil está piorando desde o fim do regime militar”. O deputado trabalha abertamente e declaradamente para manter os direitos de certos tipos de cidadãos restritos, reduzidos. Na concepção de Bolsonaro, existem grupos sociais que merecem um tipo de tratamento, mais aberto, com mais direitos, com mais liberdades, e existem outros grupos que precisam ser controlados, abafados, cercados, cerceados, inclusive com recursos violentos - como a tortura, que ele não cansa de celebrar como um método válido.

O trabalho de Jean personifica aspectos fundamentais da democracia e do humanismo. O trabalho de Bolsonaro, ele nunca esconde, ataca os pilares da democracia. São opostos em princípio e não em polaridade.

O que queremos dizer é que Bolsonaro é de posições radicais, de extrema-direita, muitas vezes beirando a perversidade, com justificativas baseadas em discursos como “Moral, família e bons costumes”, mas, para quem? Que família é essa? Somente esses costumes são aceitáveis?

Jean Wyllys, não é santo e muito menos perfeito, mas é bem mais moderado e ponderado.  Infelizmente, criou-se o mito de que ambos estariam no mesmo patamar de radicalidade, cada um de um lado oposto, e ambos igualmente condenáveis em suas atitudes. Apoiar as minorias e os Direitos Humanos, como faz Jean Wyllys, só poderia ser considerado radical se a defesa desses valores ocorresse de maneira incondicional para a maioria dos cidadãos brasileiros. Isso acontece? Por que há uma reação raivosa do outro lado?

Que Jean deu uma cuspida em Bolsonaro todos sabemos. É claro que não foi uma atitude vista como correta ou aceitável, mas o que ela representa? Bolsonaro é preconceituoso. Suas declarações não causariam espanto na Itália de Mussolini ou na Alemanha de Hitler. Ele defende que apoiadores da esquerda sejam mortos. Que filhos bem educados não se tornam gays ou se casam com negras. Que o melhor do Maranhão é o presídio de Pedrinhas. Disse que não estupraria a petista Maria do Rosário porque ela não merecia. E essa loucura e discurso raivoso tem encontrado terreno e identidade no Brasil. Opinião ou discurso de ódio? “Bolsomito 2018”. Sério? Isso é grave.

E você? O que acha disso tudo? Por que no nosso país as “minorias”, que muitas vezes são maioria em quantidade, mas minoria em representatividade, ainda precisam lutar tanto por seus direitos e visibilidade? E como fica a diversidade num país tão plural como o Brasil? Por que há pessoas como Bolsonaro que lutam contra isso?

POR QUÊ?

Um comentário:

  1. Muito bom o texto! Acredito que isso aconteça pq as classes que dominam o país (politicamente, economicamente e culturalmente) são as mesmas desde sempre e produzem um discurso que torna direitos em privilégios. Devido a esse domínio, o Brasil é um país extremamente moralista, que apesar da diversidade de pessoas, não aceita a diversidade de opiniões. É incrível que considerem que direitos humanos so sirvam para humanos direitos, quando servem exatamente para que seja mantida a dignidade mínima de um ser humano. Por isso Bolsonaro tem tanta visibilidade. Ele reflete a face reacionária da sociedade dominante brasileira.

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